29 de jun. de 2018

Aonde não quer chegar?

Já são quase cinco da manhã. Por que ainda insiste?
O refrão da música finalmente combina com o contexto e com o horário.
Coço pescoço, estou suando, não consigo mais dormir.
Observo o cinzeiro, ele está tanto tempo sem uso.
Será que eu devo ceder ao meu vício?
Engulo seco, talvez mais tarde.
Tenho que deixar aquilo que me faz mal ir... Aguento duas horas.
Já são quase sete da manhã. Por que não se decide?
Nunca fui boa em enjoar de nada, estou ouvindo a mesma música por tanto tempo...
Sou péssima em deixar, o que quer que seja, ir.
Talvez devesse insistir, uma vez mais.
Olho o cinzeiro, vazio.
Um calafrio na coluna.
Já são quase nove da manhã...
Aguentei por tanto tempo, quase cedi.
Respirei.
Você sabe que aquilo te faz mal, mas não move um dedo pra mudar. Porque você aceita.
Sempre me perguntei como alguém se vicia em cigarros, eles tem um gosto horrível, um cheiro nojento que impregna em tudo. E você precisa insistir pra gostar dele.
Será que temos tempo?
A música não segue mais as horas, mas não paro de ouvi-la.
Detesto o cheiro de cigarro, mas deixei que ela fumasse dentro da minha casa.
Porque ainda insisto?
Olho o relógio, está na hora de ir para reabilitação.
Antes de fechar a porta olho o cinzeiro, preciso jogar ele fora. Não posso devolve-lo para ela.
Meu vício é destrutivo e quase invisível, sei que se devolver, cairei nele novamente.
Suporto mais algumas horas de abstinência.
Repito para mim mesma:
Sou viciada em relacionamentos tóxicos.

8 de set. de 2015

Brincando na chuva - bauzinho de memórias

Mais uma vez procurava aflita em suas eternas caixas de mudança alguma resposta.
Dias chuvosos e frios não eram seus prediletos, ela se entrertinha enquanto ignorava o clima.
Se alienar do que a fazia mal, lhe fazia um certo mal, mas ela se alienava dele também.
Abriu seu bauzinho de memória, cheio de pó limpou com a manga da blusa tossiu um pouco, esfregou os olhos e pegou no meio algum papel, qualquer um.
E leu em voz alta, como quando quer que eu escute:

Há poucas coisas na vida que merecem uma comparação.
Mas essa precisa.
Para isso, preciso que se concentre, feche os olhos e siga a imaginação:
Um dia chuvoso, você e outra pessoa dão as mãos.
Descem uma ladeira, que não se pode ver o fim,
Há várias entradas diversos vãos.
Nenhum dos dois sabem qual caminho o outro quer ir, mas seguem mesmo assim.
A rua está molhada, mas não faz mal.
Um segura o outro afinal.
Não segure o riso, faça que seja divertido, no final das contas, não sabe quanto tempo dura sua estadia.
A única coisa que não se pode é soltar as mãos, pois é uma ladeira escorregadia.

Lendo isso a garota ri, disso eu já sabia, mas o fim da história?
-As mãos foram soltas e agora Berto? BERTO! Por favor, volte, preciso de você, como dar as mãos pra alguém que já as soltou?

Não fiz barulho algum, há respostas que ela não deve receber de mim, afinal, isso seria soltar as mãos dela e a prender numa necessidade de mim.



28 de abr. de 2015

O bom e velho Berto

Senti vontade de voar, mas não tenho asas.
Não há avião que me faça me sentir no céu.
Certo dia estava despedaçando a mim mesma, perguntei por você Berto.
Estou ficando velha pra amigos imaginários, não ouço suas asas, mas te sinto aqui.
Oras, uma mulher chorona?
Quem me dera ser, sou apenas uma menina chorona.
Que sente o Berto, entende a todos, menos a si mesma.
Que não deveria procurar o barulho das asas dele assim, mas procura...
Três da manhã, olha pra rua vazia, na casa que mais se aproximou a seu apartamento de eternas caixas de mudanças, que vive no plano das ideias... Embora seja o mais próximo, lá não é sua casa.
Nenhum lugar é.
Por mais que digam que o coração é a casa de quem ama, não abriga realmente alguém, não totalmente, um velho porão com frases parece um sonho alto demais...
Atualmente um cantinho em um quarto  que não me pertence parece muito.
Querer voar e não ter asas...
Que inveja do Berto... Ele voa tão longe, volta quando quer e ninguém o odeia por isso.
Ele é livre.
Eu não.
Acordo, faço, desfaço, esforço, forço, obrigo, me desabrigo e tento dormir, mas na manhã seguinte, tudo que vejo no espelho, da casa que não é minha, são as olheiras com aspecto de volte a dormir e as obrigações dizendo: volte ao trabalho.
Droga Berto!
Te sinto e não te ouço.
Cresço sem crescer.
O que é isso?
Acho, que sou as perguntas... e você sempre será as respostas, que nunca sei se entenderei.
Mas sei que te tenho, na sua pseudo casa, que se situa em meu coração.

2 de jan. de 2015

Não é isso.

Eu lhe mostrei meu momento frágil: Uma garota chorando por bobagens.
Ele caçoou...
Berto, estou com medo....
Estou crescida demais pra amigos imaginários, mas você é mais que isso, quando escrevo é o momento em que eu mais me sinto ligada a você, porém não é o único, sinto falta do som das suas asas, do seu sorriso e até do seu deboche... Acho que não te vejo mais com tanta frequencia porque não vivo mais entre minhas caixas de eternas mudanças como antes. Eu nunca quis viver.
Porém não me sinto em casa, em lugar nenhum. Eu moro aqui, fico lá.
Eu não gosto daqui, mas não sou de lá.
Não sou de lugar nenhum.
Não pertenço.
Sem lenço, sem documento.
Sem pertencimento, sem momento.
Nenhum momento é meu.
Os fogos do ano novo não foram vistos, minha alma procurando algo novo também não.
Não sei o que quero pro futuro.
Não pertenço a lugar nenhum
Não quero crescer, nem ser infantil.
Não é isso.
Nem aquilo.
Você entende Berto?
Entende que só você que tem a cura pro meu vicio?

22 de jun. de 2014

Pensamentos avulsos

Me encolhia por conta do frio.
Eu estava bem, não sentia vontade de chamar o Berto. Deixei-o voar então...
Meus pensamentos escorregavam pela mão.
Me sentia tão protegida, embora meu abraço estivesse dormindo.
Sim, meu abraço vive.
Eu conseguia pensar em paradoxos... Simplesmente, sem dores, resumindo...
Nunca soube bem onde estive.
Redesenhei o mapa dos meus planos.
Eu sempre soube onde queria chegar, só nunca soube o caminho.
Eu sempre pensei nos danos.
E nunca no carinho.
-Obrigada.- Pensei alto demais.
Não sei pra quem, ou como isso chegaria, talvez chegasse um dia, ou jamais...
Acho que crescer dói e nunca fui algo que eu quis.
Então sempre terei meu amigo imaginário, pois isso me faz feliz.
Mesmo que meus pensamentos escorram.
Mesmo que meus planos morram.
Eu vou ficar bem.
E espero que meu abraço e o Berto também.

29 de mai. de 2014

Maquiavelicamente vivido

Em meio a suas eternas caixas de mudança, um comodo pequeno e aconchegante que fugia de todo frio cinzento da cidade do lado exterior, ela chamou, sem muitas esperanças...
-Berto? 
Abaixou a cabeça e se pôs a pensar. Seu nariz estava perdendo o vermelho, que nem mesmo ela sabia se era do frio ou do choro engulido. Chamou mais uma vez:
-Berto....?
Ela engolia o choro, embora ninguém a visse isso feriria seu orgulho, ela havia prometido pra si mesma que não choraria mais. Por fim passou a mentir para si mesma.
-Eu estou bem, estou feliz...
Sentiu um calafrio, nada de barulhos, sem sinal algum em sua frente uma face surgiu, ela se assustou de tal forma que até a vontade de chorar sumiu, seu toca-fitas sem fitas , mas que tinha muita força de vontade, começou a tocar... Ironicamente tocou uma música que tinha como refrão : Cause I'm happy... Ela tomou folego, um sorriso se formou quando ela reconheceu o rosto em frente ao seu:
-Berto! Finalmente eu precisava tanto de você, onde você est...
-É feio mentir.- Disse Berto a interrompendo
-Não estou mentindo.
-Dizer inverdades ganhou outra denominação?
-Não... Estou dizendo em voz alta o que quero sentir... Diabos de toca fitas! É o apocali...- e como habitual ela foi interrompida.
-Deixo-o expressar ao menos o que você quer ser.
-Berto, Maquiavel disse que não preciso ser, só parecer ser, parecer sem ser dói, eu só quero... na verdade nem sei o que quero. 
Berto sorriu o sorriso favorito dela, um de canto, sutil e então abraçou-a docemente, sem pressa com um toque tão delicado que se tornou indescritível  o toca-fitas parou.





20 de mai. de 2014

Você se move em círculos?

Hey! Eu adoraria acordar dessa caverna...
Ver tudo como é realmente
Talvez a vida seja uma mentira eterna
Mas não importa se sua mente atua ou mente.
Se levante, se mova, sonhe, corra!
Viva, tente, dance, chore e morra.
Vejo o mundo resmungar,
Vejo muitas mães a chorar.
Você quer que algo mude?
Pense, não seja rude.
Pare de reclamar.
Você se move em círculos?
Você se move?
Eu me movo?
Eu estou viva? Eu morro?
Abra todas malditas portas!
Saia por onde quiser, o que eles dizem não importa!
Decida-se
Você quer assistir ao mundo ou assistir o mundo?