Senti vontade de voar, mas não tenho asas.
Não há avião que me faça me sentir no céu.
Certo dia estava despedaçando a mim mesma, perguntei por você Berto.
Estou ficando velha pra amigos imaginários, não ouço suas asas, mas te sinto aqui.
Oras, uma mulher chorona?
Quem me dera ser, sou apenas uma menina chorona.
Que sente o Berto, entende a todos, menos a si mesma.
Que não deveria procurar o barulho das asas dele assim, mas procura...
Três da manhã, olha pra rua vazia, na casa que mais se aproximou a seu apartamento de eternas caixas de mudanças, que vive no plano das ideias... Embora seja o mais próximo, lá não é sua casa.
Nenhum lugar é.
Por mais que digam que o coração é a casa de quem ama, não abriga realmente alguém, não totalmente, um velho porão com frases parece um sonho alto demais...
Atualmente um cantinho em um quarto que não me pertence parece muito.
Querer voar e não ter asas...
Que inveja do Berto... Ele voa tão longe, volta quando quer e ninguém o odeia por isso.
Ele é livre.
Eu não.
Acordo, faço, desfaço, esforço, forço, obrigo, me desabrigo e tento dormir, mas na manhã seguinte, tudo que vejo no espelho, da casa que não é minha, são as olheiras com aspecto de volte a dormir e as obrigações dizendo: volte ao trabalho.
Droga Berto!
Te sinto e não te ouço.
Cresço sem crescer.
O que é isso?
Acho, que sou as perguntas... e você sempre será as respostas, que nunca sei se entenderei.
Mas sei que te tenho, na sua pseudo casa, que se situa em meu coração.
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