29 de mai. de 2014

Maquiavelicamente vivido

Em meio a suas eternas caixas de mudança, um comodo pequeno e aconchegante que fugia de todo frio cinzento da cidade do lado exterior, ela chamou, sem muitas esperanças...
-Berto? 
Abaixou a cabeça e se pôs a pensar. Seu nariz estava perdendo o vermelho, que nem mesmo ela sabia se era do frio ou do choro engulido. Chamou mais uma vez:
-Berto....?
Ela engolia o choro, embora ninguém a visse isso feriria seu orgulho, ela havia prometido pra si mesma que não choraria mais. Por fim passou a mentir para si mesma.
-Eu estou bem, estou feliz...
Sentiu um calafrio, nada de barulhos, sem sinal algum em sua frente uma face surgiu, ela se assustou de tal forma que até a vontade de chorar sumiu, seu toca-fitas sem fitas , mas que tinha muita força de vontade, começou a tocar... Ironicamente tocou uma música que tinha como refrão : Cause I'm happy... Ela tomou folego, um sorriso se formou quando ela reconheceu o rosto em frente ao seu:
-Berto! Finalmente eu precisava tanto de você, onde você est...
-É feio mentir.- Disse Berto a interrompendo
-Não estou mentindo.
-Dizer inverdades ganhou outra denominação?
-Não... Estou dizendo em voz alta o que quero sentir... Diabos de toca fitas! É o apocali...- e como habitual ela foi interrompida.
-Deixo-o expressar ao menos o que você quer ser.
-Berto, Maquiavel disse que não preciso ser, só parecer ser, parecer sem ser dói, eu só quero... na verdade nem sei o que quero. 
Berto sorriu o sorriso favorito dela, um de canto, sutil e então abraçou-a docemente, sem pressa com um toque tão delicado que se tornou indescritível  o toca-fitas parou.





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