28 de set. de 2013

A procura de um certo ser.

Havia dentro de mim um vazio, tão oco...
Ele me trouxe e não o levou consigo.
Ódio, amor e solidão, tudo tão junto, com um sentimento antigo.
As lágrimas escorriam desesperadamente, invisivelmente, por que não seria?
Sorria, de forma tão inocente... Quem sorria?
Era a menina que as fotos com meu nome mostravam.
Não era eu, era? Berto?
Deixei-lhe a tanto tempo... Berto?
Onde você está?
Me arrastei na parede, sentei-me no chão, abri minhas eternas caixas de mudança, elas estavam vazias...
-Berto! Onde está meu bauzinho de memorias ? Berto?
Uma lágrima caiu.
Estava suspensa no espaço, sem gravidade, apenas com minha droga viciante que circulava em minhas veias... Mas agora estou presa ao chão, presa de maneira tão forte que cai, de cabeça...
-Berto, volte antes que mais algo aconteça.
Ele surgiu, tão cativante, tão meu.
E sorriu, como conseguia? Será que não me amava?
Ele sorriu...- Não.
-Berto, como assim não?
-Isso não estava aqui.
-Isso o que?
Ele sorriu e se dissipou... Sem asas, sem um barulhinho gostoso...
Eu sorri, voar num lugar tão cheio de gravidade não faria sentido... e estamos cansados de orações contraditórias.
Abaixei meus olhos... minha caixinha de memorias... estava ali... Sorri, obrigada Berto.

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