25 de jul. de 2013

Cheiro acre.

-Berto, odeio morte, odeio o cheiro dela.
Ele me olhou, sem nenhum sorriso, não era boa hora pra sorrir.
Eu o olhei, estava perdida, agia normalmente ? Gritava? Me deprimia?
O que eu devia fazer?
Olhei pra ele no frio que estava impestiando até meus pensamentos.
- Berto quando vou morrer?
Dessa vez ele sorriu
Senti sangue, o cheiro acre, o quente escorrendo em minha face... Não me desesperei.
Limpei o rosto com as mãos, e fui fazer um curativo.
Voltei a minha sala de caixas de eternas mudanças.
-Mas, sabe Berto, não tenho medo de morrer... Tenho medo de perder as pessoas que amo, tenho medo de ficar só, tenho medo de nunca mais sentir um abraço das pessoas que eu posso perder.... Pode ser egoísta da minha parte.
Berto me olhou severo:
-As pessoas nunca se vão, elas permanecem, elas podem ir, por um tempo ou permanentemente, mas quando elas são importantes... Importantes a ponto de você querer que elas fiquem, elas ficarão eternamente em seu coração...
Eu olhei, queria chorar, eu chorava por tantas bobagens... Mas agora era possível engolir o choro.
Olhamos um para o outro e dissemos em coro, baixo, tão baixo que talvez apenas nossos corações podem ter ouvido:
-Nós não morremos quando perdemos a vida, morremos quando somos esquecidos.
Eu abaixei minha cabeça... Berto ficou comigo daquela vez.


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