Seul... se lê sul...
Significa apenas, único ou sozinho...
Hoje mais do que nunca Berto, procuro por você... Onde diabos você está?
Não vou te procurar, estou cansada de mais para isso.
Deslizei na parede e me sentei...Senti uma lágrima caindo, mas enxuguei-a...
Minhas lágrimas não haviam secado, nem irão secar...
Olhei pra cima, meu mundo estava um caos, todo ele, por fora, por dentro... do começo ao fim.
Fechei meus olhos, meu coração se aquietou, não gritava, o medo era tamanho que nem gritos adiantariam... Medo... esse seria o nome certo pro que eu estava sentindo?
Ouvi um barulho, seria o Berto?
Abri meus olhos, suas asas, tão lindas, tão suas... se fecharam, você me olhou sério... Berto, sorria!
Me fitava como um pai que olha seu filho doente em estado terminal.
Eu sorri:
-Juro que não vou chorar.-
-Minha preocupação não é tão limitada...
-Não vou morrer!-Eu disse ainda com um sorriso, dessa vez o de deboche.
-A morte é bem mais que seu corpo entrar em decomposição, se morre quando se para de viver.
-Eu não parei de viver...- meu sorriso havia sumido
-Tem certeza?
-Absoluta!
-Me diga algo que te fez feliz... Qualquer coisa
-Eu...-Procurei algo em minha mente, qualquer coisa, paradoxo, gravidade, meu mundo, heroína e até mesmo meu anjo nada celestial... Não havia encontrado nada.-Não sei!
-Será mesmo-ele pausou a fala, me olhou e sorriu provocando- Que ninguém lhe faz feliz?
-Minha felicidade não depende dos outros!
-Não?
-Não.
Ele sorriu, com um sorriso tão enigmático que me arrepiou.
-Berto, por favor, fique aqui... Por um tempo, sem sumir, por favor?
Ele sorriu novamente, com deboche.
Abriu as asas.
-Vai embora só pra me provocar?
-Sua felicidade não depende dos outros....-Sorriu... não como uma vingança, apenas feliz.
Berto... não quis dizer que não preciso de você... Berto!
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